MP abre inquérito para investigar falhas nas linhas 11, 12 e 13 após concessão à Trivia Trens em SP
28/07/2026
(Foto: Reprodução) Trem fica carbonizado por dentro depois de explosão registrada na Linha 12-Safira da Trivia Trens nesta quinta-feira (23).
Reprodução/TV Globo
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para investigar as falhas registradas nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nos primeiros dias de operação da concessionária Trivia Trens. Após uma sequência de problemas, a operação dos três ramais voltou a ser realizada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
A investigação deverá apurar se houve falhas na prestação do serviço público, na fiscalização da concessão e eventual responsabilidade dos envolvidos pelos prejuízos causados aos usuários. O inquérito tem prazo inicial de um ano para conclusão, podendo ser prorrogado.
O procedimento também inclui a apuração da atuação da CPTM, da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e do governo estadual na fiscalização e na prestação do serviço.
A portaria foi assinada nesta terça-feira (28) pela promotora Patricia de Carvalho Leitão, da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital. Segundo ela, há indícios de "falhas reiteradas e graves" na prestação do serviço, com potencial risco à segurança e à integridade física dos passageiros.
Vídeo mostra momento de explosão de trem da Trivia Trens em SP na Linha 12-Safira
Segundo o MP-SP, mais de sete falhas operacionais graves foram registradas nos três primeiros dias após a transferência da operação para a Trivia Trens, em 21 de julho.
Entre os episódios citados estão paralisações, plataformas lotadas, redução na velocidade dos trens, falhas em catracas e a interrupção simultânea das três linhas após um problema no fornecimento de energia, no dia 23 de julho, gerado por uma explosão na Linha 12-Safira.
O episódio também teve reflexos no trânsito da Zona Leste, com a suspensão do rodízio municipal de veículos na região.
O documento também cita levantamento divulgado pela TV Globo e pelo g1 segundo o qual, durante o período de operação assistida, ou seja, no dois últimos meses, foram registradas 11 falhas na Linha 11-Coral entre junho e julho deste ano, alta de 275% em relação ao mesmo período de 2025.
A Promotoria menciona ainda que, diante da sequência de problemas, a Artesp determinou que a CPTM retomasse temporariamente a operação das três linhas por um período inicialmente previsto de até 90 dias.
A Trivia Trens informou, por meio de nota, que está "ciente da instauração do inquérito civil pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e prestará todos os esclarecimentos solicitados, nos prazos estabelecidos. A concessionária reitera seu compromisso com a transparência, a cooperação com as autoridades e a conformidade regulatória, permanecendo à disposição para contribuir com a apuração dos fatos. Paralelamente, segue contribuindo com as investigações técnicas sobre a ocorrência junto aos órgãos competentes".
A Artesp e a CPTM também enviaram notas em que afirmaram ter sido notificadas e que prestarão "todos os esclarecimentos solicitados no prazo legal".
Gif home: passageiros gravam momento da explosão de trem em SP
Reprodução
Problemas antigos
Para o MP, os problemas não se restringem ao início da concessão. A portaria cita procedimentos anteriores envolvendo as três linhas, ainda sob administração da CPTM.
Além disso, afirma que o histórico aponta para um padrão de falhas ao longo dos últimos anos, o que justifica uma investigação conjunta sobre a qualidade do serviço independentemente de quem estivesse operando a rede.
Como primeiras medidas, o MP-SP determinou o envio de ofícios à Artesp, à CPTM, à Secretaria de Transportes Metropolitanos e à Trivia Trens.
Os órgãos e a concessionária deverão apresentar relatórios sobre as falhas registradas, as medidas adotadas, eventuais procedimentos de fiscalização, planos de manutenção, ações emergenciais e documentos técnicos relacionados aos episódios investigados.
Também foram solicitadas informações ao Corpo de Bombeiros, à CET e à Prefeitura de São Paulo sobre os impactos da ocorrência do dia 23 de julho.